Citação

O Mestre e as Flores

H avia um homem muito especial, que era
seguido por multidões. Ele viveu há cerca de dois mil
anos e, sem derramar uma gota de sangue de qualquer
pessoa, mudou o mundo. Qual é o seu nome? É
desnecessário dizer… A história é contada antes e
depois dele. Ele conquistou o coração das pessoas e
transformou sua maneira de pensar. Se você quiser
ajudar alguém, não o controle, primeiro conquiste o
seu interior, depois o ensine a pensar.
Na época em que ele viveu, o egoísmo e o
individualismo faziam parte da rotina das pessoas. Cada
um procurava apenas seus próprios interesses. O amor
foi sufocado e esquecido. A tolerância e o perdão eram
jóias raras, difíceis de ser encontradas.

Ele não teve privilégios sociais. Nasceu entre
os animais. Foi perseguido aos dois anos de idade.
Não lhe deram a chance de brincar. Na adolescência
foi um carpinteiro. Construía objetos de madeira e
telhados. Carregava pesadas toras. Tinha calos e bolhas
nas mãos, mas não reclamava. Trabalhou com martelo,
pregos e madeira. Vejam isso: trabalhou com as
mesmas ferramentas que um dia o destruíram.
Ele não freqüentou os bancos de uma escola,
mas freqüentou a escola da vida. Nessa escola, ele
aprendeu a enfrentar o preconceito, o medo e as
fragilidades humanas. Foi um grande aluno, por isso
tornou-se um grande mestre. Enquanto entalhava a
madeira, analisava o coração das pessoas e percebia
cada uma das suas dificuldades.
Com trinta anos de idade resolveu revelar seus
pensamentos. Era de se esperar que ele fosse uma
pessoa agressiva, ansiosa e infeliz, pois atravessou
muitas dificuldades desde a infância, mas, revelou-se
gentil, tranqüilo e feliz.
Ele não usava lousa e giz, mas era tão inteligente
que as pessoas paravam tudo o que faziam para ouvilo.
O mestre da escola da vida falava com poesia. Suas
palavras colocavam combustível no ânimo das pessoas,
reacendiam sua esperança.
Era sociável, gostava de festa e de jantares. Todos
queriam dar um jeito de ficar ao seu lado. Era um
fantástico contador de histórias. Sua mente era muito
criativa. Sua imaginação era fértil como as terras às

margens do Nilo. Contava histórias tão interessantes
que as crianças e os jovens não piscavam os olhos ao
escutá-las.
Certa vez, algumas crianças queriam se
aproximar dele para ouvi-lo, mas os seus amigos
íntimos as impediram. Os seus amigos não o
compreendiam, por isso freqüentemente o
atrapalhavam. Dessa vez, ele lhes deu uma grande
lição. Tomou as crianças nos seus braços, acariciouas.
Após essa atitude, olhou para seus discípulos e
atacou suas mentes limitadas. Disse-lhes: “Se vocês
não forem simples como essas crianças, não entrarão
no meu reino”.
Para o mestre, na escola da vida não havia
diplomas, todos deviam se comportar como alunos.
Ninguém poderia entender suas mensagens se não se
comportasse como uma pequena criança. Por quê?
Porque uma criança é uma esponja que absorve tudo
no meio ambiente. A infância é a melhor fase para se
aprender. Perder a capacidade de aprender é um
desastre. O orgulho, os preconceitos e a autosuficiência
destroem essa capacidade.
Uma das maiores lições que ele queria que todos
aprendessem é a não discriminar qualquer ser humano.
Ele valorizou os deficientes, os cegos, os paralíticos e
os que viviam à margem da sociedade. Os leprosos
eram pessoas deformadas, cheias de úlceras. Alguns
exalavam um odor desagradável, pois não havia
tratamento na época. Eles estavam doentes no corpo

e solitários na alma. Todos os rejeitavam, dos amigos
aos familiares. Todavia, para a nossa surpresa, esse
mestre fez deles seus íntimos companheiros.
Alguns dias antes de morrer, ele estava na casa
de um homem. Lá ninguém tinha coragem de entrar.
Na casa de um leproso chamado Simão. O mestre
dos mestres teve longas conversas com ele. Sentou-se
à mesa e comeu da sua comida. Simão não podia
acreditar que alguém tão famoso pudesse dar tanta
importância para si. De fato, ele gastou os momentos
mais importantes de sua vida com as pessoas menos
importantes da sociedade. Viveu os patamares mais
altos da inteligência emocional.
Sua inteligência deixava os homens pasmados.
Ele não buscava ser um líder político ou religioso, ele
apenas queria conquistar o amor do homem. Por isso,
diferentemente de alguns líderes políticos e religiosos
da atualidade, ele não controlava ninguém. Não
obrigava ninguém a segui-lo. Não os pressionava com
milagres ou com sua eloqüência. Ele só aceitava
seguidores se eles aprendessem o alfabeto do amor.
Você conhece esse alfabeto?
Embora fosse muito poderoso, ele preferia ser
reconhecido como o mestre da sensibilidade. O que é
ter sensibilidade? É valorizar as pequenas coisas e fazer
delas um espetáculo aos nossos olhos.
Quando alguém está no auge da fama,
freqüentemente se preocupa com os aplausos das
multidões, com os autógrafos, com os shows e

discursos. Mas ele era diferente dos famosos da
atualidade. Não se preocupava com os aplausos,
preferia dar uma atenção especial às pequenas coisas.
As multidões o espremiam, todos queriam fazêlo
rei. De repente, ele parou de caminhar e silenciouse.
As pessoas acharam que ele ia fazer mais um
discurso vibrante. Mas, ao invés disso, teve um gesto
surpreendente. Ele foi em direção a algumas flores.
Olhou atentamente para elas e começou a admirá-las
profundamente. Ninguém entendeu nada.
Para o espanto de todos, após admirá-las, falou
em voz delicada e firme: “Olhai os lírios dos campos.
Eles não tecem uma roupa, mas nem o rei Salomão
se vestiu como um deles”.
Todos ficaram calados. Sabiam que o rei
Salomão, que havia vivido há muitos séculos, era
poderoso e tinha centenas de pessoas que o serviam.
Suas vestes reais eram tecidas com fios de ouro. Elas
se perguntavam: “Como pequenos lírios podem ser
mais belos do que as vestes desse grande rei?”
Aos olhos do mestre da sensibilidade aquelas
pequenas flores a quem ninguém dava importância,
que cresciam nos campos sem ninguém cultivar, eram
mais belas que as vestes de um grande rei. Para ele, as
pequenas coisas eram tanto ou mais importantes do
que as grandes. Os lírios representam tudo aquilo que
parece pequeno, mas que é tão importante para a
nossa vida.
Sua vida tem tido lírios? Você tem dado valor às
pequenas coisas ao seu redor? Tem feito de um

pequeno diálogo com seus amigos um espetáculo aos
seus olhos? Você tem tido o prazer de conhecer o
mundo dos seus professores, descobrir suas aventuras,
suas vitórias, suas derrotas? Você tem tido o prazer de
conversar com seus pais sobre o passado deles? Será
que vocês não estão próximos fisicamente e distantes
interiormente?
Você precisa de lírios na sua vida. Converse com
seus pais, pergunte sobre os momentos mais tristes e
os mais alegres de suas vidas. Mesmo um pai rígido e
agressivo tem ouro dentro da rocha da sua emoção.
Saia do superficialismo.
Converse com seus amigos sobre seus sonhos,
suas metas, suas frustrações. Um grande amigo vale
mais do que uma grande fortuna. Critique menos e
elogie mais. Elogie seus pais, seus irmãos, seus colegas.
O elogio cultiva os lírios do coração.
Na escola da vida devemos dar importância vital
às pequenas coisas. Por exemplo, raramente as pessoas
gastam tempo observando as borboletas. Parece que
elas não têm importância alguma. Mas você sabia que
quanto mais espécies de borboletas existirem num certo
ambiente, mais preservado ele estará?
Foram encontradas 250 espécies diferentes de
borboletas em áreas arborizadas da cidade de São
Paulo. Parece muito, mas não é. A poluição de São
Paulo destruiu cerca de 500 espécies. Se o ambiente
fosse puro, o número de espécies encontradas estaria
em torno de 750.

As borboletas são as dançarinas do ar. Elas
procuram o néctar das flores, o rico suprimento que
as alimenta. Após sugá-lo, batem em retirada para
outras flores, polinizando o jardim e facilitando a
produção de mais plantas. Elas são tão pequenas, mas
tão importantes.
Infelizmente, são muito sensíveis à poluição. Se
no ambiente que você freqüenta não encontrar alegres
borboletas dançando no ar, saiba que o ar que você
respira é ruim e sua qualidade de vida está afetada.
Você tem o direito de respirar um ar puro. Não se
cale. Reclame dele para as secretarias das prefeituras.
Quantas espécies de borboletas você tem visto
na região onde mora? Talvez você tenha tempo para
assistir à TV e ver filmes que trazem cenas de violência,
mas não tem alguns segundos para admirar as
pequenas coisas que o circundam.
Gaste tempo com aquilo que gera um prazer
saudável. Há homens milionários que constroem
palácios e imensos jardins, mas não têm tempo para
admirar suas flores. São ricos financeiramente, mas
miseráveis no território da emoção. Seja rico dentro
de você, no único lugar que não é admissível ser
pobre…
Os discípulos do mestre da sensibilidade estavam
preocupados com seus milagres, com posição social e
poder político. Mas ele mostrou que o maior milagre é
aquele que se esconde nas pequenas coisas.
Não se esqueça das pequenas coisas. Elas
escondem os segredos da felicidade…

*Fragmento do livro: “Escola da Vida, Harry Potter no Mundo Real”

Por: Wesley

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